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A sociedade está cada dia mais imersa em novas tecnologias, dependente de redes sociais e refém dos compartilhamentos e divulgações que extrapolam os limites do desamor. Ia ser tão lindo se todo mundo usasse a internet, os aplicativos e as redes sociais para propagar o bem, né? Mas infelizmente, não é bem assim que acontece.

A dica da #quintacult de hoje vem despertar as pessoas para uma questão extremamente importante e  pouco abordada: por que existe a necessidade da mídia em compartilhar a dor alheia? E por que as pessoas gostam tanto de assistir e ler sobre coisas ruins? O tema do filme-dica dessa quinta aborda a exploração da tragédia pela mídia e a maneira como as pessoas não se intimidam em divulgar cenas de acidentes, sem se preocupar com pais, mães, maridos, esposas e filhos que são obrigados a ver seus entes queridos em grupos de WhatsApp e portais de “notícias” que pouco se importam com a dor, cegos pelo número de cliques que receberão.


abutre

O filme dessa semana é forte (então, se você não está com o emocional estável e um estômago de aço, aviso logo – ele vai te fazer ter raiva da mídia e/ou vomitar). O Abrutre (nome original: Nightcrawler) é um filme de drama e suspense americano escrito e dirigido por Dan Gilroy de The Bourne Legacy. E conta a história de Louis Bloom, que enfrentando dificuldades para conseguir um emprego descente decide entrar no submundo da mídia que é responsável por “eventos” criminais. O personagem corre atrás de crimes e acidentes chocantes e trágicos, registra tudo e começa a vender as imagens para os interessados. E o pior, isso mostra que essa área de “entretenimento” está cada vez mais em alta, e pagar melhor pelo que a cena tiver de pior.

Nightcrawler-crítica

O ator que interpreta o protagonista, Jake Gyllenhaal, foi indicado ao Oscar em 2006 pelo filme “O Segredo de Brokeback Mountain”, e por mais que nesse filme sua atuação seja excepcional, em “O Abutre” o ator superou todas as expectativas e foi (SUPER) injustiçado por não receber indicação alguma em 2015. Ele emagreceu cerca de 10kg para o papel, ficou com aspecto de doente (mental e físico), como um viciado e é perceptível sua entrega ao personagem, de tal modo que toda a construção da personalidade de Bloom vai ficando pesada a medida que ele intensifica seu trabalho. Ao mesmo tempo em que ele parece totalmente no controle da situação, parece também a ponto de explodir.

O enredo é mais real do que se imagina, é um retrato assustador da capacidade humana de inverter seus valores, de transformar fatalidades em espetáculo, em audiência e nos faz ter vergonha da quantidade de porcaria televisiva e informativa que consumimos, seja nos jornais ou nos grupos que compartilham desgraça. Podemos refletir sobre para o quê damos importância, para o que damos audiência. Porque é clara a crítica: se sangrar, alguém vai pagar pra ver, e a demanda é de fato impressionante.

Abutres de Manaus durante 2 acidentes graves. Obs: divulgar foto de pessoas mortas é CRIME.

Abutres da vida real durante 2 acidentes graves em Manaus. Obs: divulgar fotos de pessoas mortas/feridas em acidente é CRIME.

Nesse post não quis falar muito sobre a sinopse do filme, mas o sentimento que ele me trouxe e as milhões de críticas que me fez formular, já são suficientes para eu indica-lo e recomendá-lo principalmente para você, que assim como eu reflete sobre os limites morais e éticos da humanidade. Ficou curioso(a) em acessar uma reportagem, assistir um vídeo ou baixar uma foto sobre tragédia? Procure coisa melhor, como um bom filme. E eu recomendo: O Abutre.

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12 de novembro de 2015

E eis que finalmente eu recebo o convite (que esperei uns anos para receber) de escrever para o blog das minhas phynas amigas (como convidada – não me mandem olho gordo de inveja, eu ainda não sou uma phyna). Como eu não abro mão do meu posto de única melhor amiga da Nâna (deu para sentir o ciúme?) decidi no mês de férias do curso de Francês dela e da minha vida corrida de professora, chamá-la para assistir um filme em francês (para ela aproveitar e treinar), e então a quinta-feira ganhou novo significado no mês de julho: decidimos reservar esse dia da semana para vermos filmes e matar a saudade. Nossa #quintacult começou com um filme MUITO bom e que me serviu de incentivo para escrever como minha primeira dica.

intouchables21

Intouchables, Intocáveis (no Brasil) é considerado um dos filmes mais rentáveis na história da França (talvez por ser fabuloso). Coisas simples me fascinam e a história é de uma simplicidade tamanha, sem enrolação, sem muito drama mas muita emoção, sem grandes efeitos e com uma pitada exata de humor. O filme é baseado na história real do empresário Philippe Pozzo di Borgo e aborda a construção da sua amizade com o argelino Abdel Yasmin Sellou. E nada melhor do que assistir um filme que define tão bem o conceito de amizade com sua melhor amiga (que amor!) .

intouchables11

Os dois personagens principais são duas pessoas que vivem em mundos diferentes e que de tão opostos encontram razão suficiente para construir uma grande amizade. Um é rico, meio mau humorado e tetraplégico: Philippe (interpretado pelo ator François Cluzet) e o outro é problemático, desbocado, sem filtro algum e pobre: Driss (interpretado por Omar Sy). E é através dessas diferenças e com humor honesto sobre desigualdades (físicas e sociais) que eles atuam brilhantemente. As desigualdades sociais e raciais não são o foco do filme, o foco é a relação entre Philippe e Driss, por isso a sintonia entre os protagonistas (e o modo como a percebemos) é o maior trunfo do filme. E por focar no relacionamento de dois amigos extremamente diferentes, a obra é uma divertida e melancólica maneira de mostrar a capacidade humana de superar diferenças, de mostrar que a admiração recíproca vai além de se alcançar padrões.

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O filme mostra que de maneira sincera (e singela) as relações podem ser construídas com confiabilidade, respeito e outras qualidades admiráveis que todos somos capazes de alcançar. Intocavéis é o retrato real de uma verdadeira amizade (aquela onde um aceita o outro pelo que ele verdadeiramente é). Não existe reviravoltas dramáticas exageradas, planos malignos, mentiras e coisas do gênero (que a maioria dos filmes americanos mostram quando assunto é amizade). Os problemas apresentados são reais, sendo a visão sobre eles mais positiva do que qualquer outra coisa, nos emociona na medida certa e, acima de tudo, nos faz rir. Super recomendado.

Ficou curioso(a)? O trailer em HD vocês podem ver clicando aqui e o filme está disponível no Netflix! Espero que tenham gostado da dica pois semana que vem tem mais!

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Já há algum tempo que eu gostaria de fazer indicações de filmes pra vocês aqui no blog, só não tinha visto ainda uma forma de inserir este assunto dentre os demais que abordamos. Mas como estamos passando por uma reformulação de identidade – como blog (que aos poucos vocês vão perceber), vimos que esse tópico poderia ser interessante por aqui e esperamos que vocês curtam!

Meu objetivo não é de forma alguma fazer uma espécie de “quadro de críticas de cinema” sobre novos filmes, já tem muito site bacana com gente que estudou cinema e que gosta de se aprofundar na 7a arte pra gerar críticas maravilhosas (eu pessoalmente acompanho o pessoal do Cine Set aqui de Manaus e o InterrogAção do meu amigo Daniel, de Curitiba), minha intenção é apenas de compartilhar com vocês indicações pessoais dos filmes que me chamam atenção e que eu gostaria que todo mundo visse também hahaha por N motivos 😀

Cena3

A primeira indicação é de um filme que me deixou extasiada ao sair do cinema, fui pra casa me sentindo leve e com um sorrisão no rosto: A vida secreta de Walter Mitty <3

Indicado para quem: é fã de filmes como Forrest Gump e Na natureza selvagem (Into the wild), fãs de fotografia, pessoas que amam viajar. O filme é dirigido e estrelado pelo Ben Stiller (e confesso que estava meio desconfiada se seria só um trabalho mediano) e o achei inspirador em todos os sentidos: roteiro, fotografia, trilha sonora… é uma profusão de ótimas escolhas.

Walter é um funcionário da renomada revista Life (o nome já é a grande dica sobre a mensagem mais importante do filme), que trabalha no setor de revelação de fotos e arquivos. Ele constantemente sonha acordado se imaginando nas mais diversas situações (sempre em atos ousados, o oposto de quem ele demonstra ser no dia a dia) e por isso é motivo de chacota no trabalho.

Alá, sonhando de novo

Também é apaixonado pela colega de trabalho Cheryl (interpretada pela ótima Kristen Wig, de Saturday Night Live) mas não tem coragem de chamá-la para sair e fica sonhando com cenas em que poderia conquistá-la.

OLAR #ahsesêsse

A vida simples e meio sem graça desse personagem, aparentemente comum, muda quando ele recebe um pacote de negativos do famoso fotógrafo Sean O’Connel (Sean Penn brilhante, pra variar) mas há uma foto faltando, justamente a que será a próxima e última capa da revista (que será apenas digital), obrigando Walter a procurar por Sean nos mais distantes e inóspitos lugares. A partir desse momento, ele toma coragem para deixar de sonhar acordado e ir de fato, viver!

Acorda pra vida, cara!

E é aí que começam os momentos mais inspiradores (o filme é cheio de frases impactantes, reproduzidas em pinterest e tumblrs da vida), acompanhados de uma trilha sonora contagiante (Wake Up de Arcade Fire minha gente! Queria cantar com toda a vontade no cinema mas né, melhor não haha) e cenas belíssimas de locais remotos, como a Islândia por exemplo (sou suspeita pra falar porque sou apaixonada por esse país gelado #frozenfeelings).

Uhuuul!

Apenas.a.melhor.cena

Tem uma palavra em inglês que traduz bem o que esse filme desperta nas pessoas: Wanderlust, um desejo constante de viajar e conhecer novos lugares, não só pelo lugar em si, mas pelo que a experiência dessa viagem proporciona a você.

Achei que “A vida secreta de Walter Mitty” seria uma boa forma de começar o ano, porque a história nos convida a despertar da apatia em que muitas vezes nos encontramos por diversas razões e tomar coragem de fazer determinadas coisas que vivemos sonhando em concretizar mas nunca (até então) se cria coragem. Beijos e boa sessão pipoca!

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